Para Aristóteles, a ciência procede por demonstrações; ela é definida como uma disposição demonstrativa. Toda demonstração parte de princípios que, eles próprios, não podem ser demonstrados, sob pena de se ir ao infinito, ao se exigir sempre demonstração do que serviu de base à demonstração. É preciso então parar em algum momento; Aristóteles estabelece a parada mediante a existência de princípios a título de proposições imediatas e primeiras, indemonstráveis, a partir das quais as ciências partem para a demonstração das propriedades dos gêneros próprios de que se ocupam. A apreensão dos primeiros princípios é atribuída ao nous (inteligência). De outro lado, em Top. I.2 Aristóteles argumenta em favor da dialética como podendo discorrer sobre os primeiros princípios: como a dialética pode discorrer sobre tudo, apoiando-se nas opiniões aceitas, nesta medida ela pode contribuir para a aquisição dos princípios.
Qual é a relação entre dialética e ciência?
Nesta entrada visamos examinar, através do debate, algumas teses sobre a relação entre Ciência e Dialéctica na filosofia de Aristóteles. Nosso propósito é identificar os argumentos mais fortes de cada lado e, finalmente, tentar formar opiniões criticas sobre o assunto. Portanto, primeiro temos que trazer à tona certos problemas preliminares ou obscuridades que possam surgir no caminho.
PRIMEIRO TÓPICO: Silogismos Dialéticos e Silogismos Demonstrativos
Segundo Aristóteles a diferença entre um silogismo dialético e uma demonstração encontra-se na natureza de suas premissas. Notese que a estrutura lógica de um sullogismos somente establece se a conclusão segue-se ou não necessariamente das premissas. Assim, as premissas de um silogismo dialético são proposições dialéticas e as proposições dialéticas são endoxa i.e. opiniões aceitas, reputadas. Do mesmo modo, as premissas de uma demonstração (ou silogismo cientifico) são proposições demonstrativas i.e. verdadeiras e primordiais (Cf. Top. 100a 25 ss).
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